quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Retrospectiva 2015

Olá, gente!
Estava sumida, eu sei. Esse fim de ano foi muito corrido e confuso e vocês vão entender o porquê ao final dessa retrospectiva. Obrigada por participarem desse ano tão especial e marcante em minha vida. Definitivamente um dos melhores. 

Em Abril estive em Nova York com meus pais e meu tio, passei onze dias e não vejo a hora de voltar. Algo que aprendi foi que não escrevem todas aquelas músicas sobre Manhattan em vão e Taylor Swift tem razão, a cidade é vibrante. Não dá pra descrever a sensação de estar na Times Square. 
Logo em seguida, em Julho, fiz um intercâmbio para Los Angeles com a Paula Pimenta, uma de minhas escritoras prediletas. Já fiz vários posts sobre isso aqui no blog, então não vou me estender, mas foi umas das melhores, se não a melhor, experiência da minha vida.
Em Setembro fui a capa da revista VEJA de minha cidade. 
As meninas que viajaram comigo deixaram saudades e nenhuma é  do meu estado. Já em Outubro eu estava com o coração apertado, então fui para Sabará, Minas Gerais para casa da Vick, minha sis mineira para o casamento de uma das intercambistas, a Amanda (noiva mais linda)
Então, de novembro para cá minha vida virou uma correria total. 
Meus pais se separaram. Minha mãe foi morar em Orlando e eu fui morar com meu pai. Eu fiz meu primeiro exame do TOEFL. Houve a apresentação da peça em que eu escrevi o roteiro. Eu atuei nessa mesma peça. Peguei caxumba. Estou no nono ano, portanto me formei no fundamental. Apresentei minha monografia sobre o Estado Islâmico. Entrei no livro da escola com uma dissertação argumentativa sobre minha cidade. Passei de ano direto e durante esse ano fui a 1, 2 e 3 colocada nos simulados do Enem lá da escola. Sem falar em todas as festas de 15, em uma delas inclusive perdi meu telefone e o encontrei numa privada que eu nem sequer tinha ido. Comprei outro celular. Minha mãe voltou para a cidade. Entrei pra academia. Meus pais brigaram um pouco. O Brasil está em crise, e ela chegou aqui em casa. Tudo isso em menos de 2 meses, mas continuo respirando e dormindo 8 horas por dia.  

Com a falência total de meu antigo celular, perdi todas as informações que estavam nele. Como, por exemplo, a lista dos livros lidos desse ano. Fiquei muito triste, pois todo ano eu faço e guardo o de todos os anos. Lembro que estava em 30 e poucos. Para o ano que tive li uma quantidade de livros satisfatória. Já estou com saudade de 2015, mas que 2016 venha e surpreenda. Feliz ano novo para todos vocês. <3 Que nós tenhamos muitos momentos felizes, muitos livros e muitas viagens e família e amigos para compartilharem tudo isso conosco. Amém.   

{ATUALIZAÇÃO} 

Gente, existe uma coisa fascinante chamado Icloud e eu recuperei todas as minhas notas! Tô nem acreditando ainda! 
Enfim, esses foram os lidos de 2015! Li livros maravilhosos! ❤️ Por mais que tenha começado o ano com o pé esquerdo, já que Fangirl não funcionou para mim. Também li meu primeiro livro em inglês e conheci autoras maravilhosas.

Lidos em 2015: 📚

Janeiro: 
1º- Fangirl 💩
2º- 360 dias de sucesso 
3º- Fiquei com um famoso 
4º- Simplesmente acontece 
5º- Feliz por nada 
6º- Um herói para ela 
7º- Ai meu deuses! 
8º- O menino do pijama listrado 

Fevereiro: 
9º- Ashes to Ashes
10º- Diário de um adolescente apaixonado 
11º-  O Livro dos vilões 

Março: 
12º- Um caso perdido 
13º- Paixão sem limites 
14º- Tentação sem limites 
15º- Amor sem limites 
16º- Estranha perfeição

Abril:
17º- Cinderela Pop 

Maio: 
18º- A herdeira 
19º- Elena, a filha da princesa 

Junho: 
20º- The List 
21º- Minha vida fora de série 3

Julho: 

Agosto: 
22º- Não se iluda, não
23º- Jesse's Girl 💫

Setembro: 
24º- Um ano inesquecível 
25º- Fazendo meu filme 2 (quadrinhos) 
26º- O segredo de Emma Corrigan💫
27º- Os bons segredos 
28º- Cartas a um jovem poeta
29º- Fiquei com seu número 💫
30º- Menina de vinte 💫

Outubro: 
31º- Delírios de consumo de Becky Bloom 
32º- Bela Redenção 
33º- Harry Potter e a Ordem da fênix 💫 
34º- Harry Potter e o enigma do príncipe 💫

Novembro: 
35º- A joia 

Dezembro: 
36º- A primeira chance
37º- Cabeça de vento 

domingo, 13 de setembro de 2015

O segredo de Emma Corrigan - Sophie Kinsella

Olá, leitores! 
A resenha de hoje é sobre um livro que comprei na primeira sexta feira Bienal do Livro. Queria escrever esse post depois do sobre minha experiência bienática (?), mas meus dedinhos estavam coçando para dividir minha opinião sobre a obra da Sophie, para que vocês não percam o tempo que eu perdi para conhecer essa autora maravilhosa. 


Emma Corrigan tem segredinhos bobos, daqueles que todos nós temos. Eles vão desde seu peso à suco de laranja na planta da chefe, mas o que ela não esperava é que tê-los revelado à um completo estranho quando entrou em pânico, devido a uma forte turbulência em um avião, fosse mudar sua vida até que Jack Harper, a lenda do marketing e o fundador da companhia onde trabalha, vai visitar a sede de sua empresa em Londres e então as coisas começam a ficar interessantes. Afinal, não é todo dia que seu chefe sabe de tudo sobre a sua vida, inclusive que você dá escapadas para o Starbucks no horário do serviço e pequenos detalhes diários como esse.
"O segredo de Emma Corrigan" foi meu primeiro livro lido dessa autora e não poderia ter me deixado uma melhor impressão. Foram momentos maravilhosos na companhia de Emma e Jack! Fiquei apaixonada pela personalidade de Emma e pela humildade de Jack (<3).
Confesso que quando me falaram de um tal livro engraçadíssimo escrito por uma britânica não levei fé na parte da comédia, mas me peguei gargalhando e paguei a língua. 
Sophie não é a rainha do click-lit em vão. Sua narrativa é simples, leve e envolvente. Eu devorei os capítulos e senti uma fina saudade quando cheguei ao fim. A única coisa que me conforta é que a Sophie tem vários livros publicados e posso matar a saudade de sua escrita a cada título. Recomendo para todos, mas é leitura obrigatória para os fãs de livros de mulherzinha. Dei cinco estrelas, mas gostaria de dar toda a via láctea. A tempos um livro me surpreendia tão positivamente. 
A história me lembrou um pouco "Azar o seu" da Carol Sabar, uma de minhas autoras nacionais prediletas, por mais que não tenha muita coisa a ver tirando o pontapé inicial da estória. 
Acho muito difícil resenhar livros que amei, porque a resenha nunca faz jus a obra, mas eu realmente espero ter empolgado vocês. Não percam todo esse tempo que perdi sem as palavras da Kinsella.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Um ano inesquecível - Pimenta, Dewet, Vieira e Rebouças

Olá, leitores!
Estava ansiosa por esse livro desde que divulgaram a coautoria entre essas autoras tão talentosas da literatura brasileira. Um ano inesquecível é composto por  quatro contos, cada um passado em uma estação do ano, escrito pelo quarteto fantástico Paula Pimenta, Babi Dewet, Bruna Vieira e Thalita Rebouças. É muito amor para 400 páginas. <3

Um ano inesquecível

  • Enquanto a neve cair (Paula Pimenta)
O inverno de Paula Pimenta é abordado no frio de Vale Nevado, Chile. Mabel foi praticamente arrastada para uma viagem em família quando o que mais queria era estar no Brasil. O que a garota não sabe é que essa semana nas terras geladas da América do Sul será capaz de aquecer seu coração. 
É marmelada escrever essa resenha quando esse conto foi escrito no período que a autora estava viajando comigo. Vocês já sabem minha opinião, tudo que a Paula publica é maravilhoso e essa história não foi diferente. 
Já simpatizei com a protagonista pelo fato de ser baixinha e é simplesmente sensacional como a autora conseguiu transformar uma viagem em família numa experiência romântica. Essa Paulets só nos ilude. Não dá com ela, não. Sem dúvidas, "Enquanto a neve cair" é o melhor conto do livro.

  • O som dos sentimentos (Babi Dewet)
Babi nos traz um outono chuvoso das vidas de João Paulo e Anna Julia, tendo como cenário a Avenida Paulista. Ela, uma jovem da elite paulistana que teve a vida inteira controlada pelos pais. Ele, deixou Minas Gerais para perseguir seu sonho na capital, estudar música. E, como dizem por ai, "where words fail music speaks". 
É um bom conto, não posso negar. Nada demais, porém. A narrativa da Babi é maravilhosa, mas algo na história não me conquistou. Talvez a falta de uma problemática. Ou quem sabe a falta de sal nos personagens. 
Eu acho a Babi uma escritora e tanto, mas confesso que esperava mais. Talvez eu tenha depositado muita expectativa. Talvez, mas mesmo assim o conto está longe de ser ruim.

  • A matemática das flores (Bruna Vieira) 
A primavera de Bruna Viera se passa no último bimestre do terceirão. Jasmine está segurando a lanterna e precisando de nota para terminar o segundo grau. Até que a morena de cabelos cacheados é obrigada a ter aulas particulares com um dos alunos da faculdade de engenharia. O que acaba não sendo tão entediante como a garota previa. 
Esse conto foi o extremo oposto da Babi. Eu não esperava nada e me surpreendeu de uma forma muito positiva. Como vocês devem saber, eu não gostei muito da pegada da Bruna para os romances em sua trilogia, mas sua escrita evoluiu muito nesse livro. É clichê, mas daqueles que você gosta de ler. Não foi o melhor conto do livro, mas Jasmine foi uma boa companhia nas horas que passei ao seu lado. Aliás, sua opinião sobre matemática me representa. E muito. 
  • Amor de carnaval (Thalita Rebouças)
Carnaval do Rio de Janeiro. Três amigas. Subcelebridades. Traições. Romance. Sapucaí. 
A Thalita arrasou! Eu não sou de rir com livros, mas eu gargalhei com esse conto. Não esperava muito, pois detesto Carnaval, mas o romance foi muito bem desenvolvido e eu me peguei querendo que o conto fosse estendido. Definitivamente, "Amor de Carnaval" e "Enquanto a neve cair" foram os melhores contos do livro. Eu inclusive acho que deveriam ser estendidos. Cem páginas é muito pouco para expressar meu amor por Guima e Ben.




quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Por favor, matem a matemática

Nunca fui a melhor aluna da minha classe. Não por não ser boa o suficiente, mas por não limitar meus pensamentos a meia dúzia de fórmulas. O x e a tangente nunca realmente fizeram sentido. Sempre fui de humanas, mesmo quando não sabia o que era isso. Quando a  tia pedia para Mariazinha dar balas para Joãozinho e depois tomar algumas de volta eu não queria calcular com quantas balas Joãozinho ficou, eu queria entender o porquê de Mariazinha ter tomado-as de volta e travar um diálogo emocionante a nível de jardim de infância. Ocorre que ninguém nunca reconhece os de humanas como inteligentes, ou, pelo menos, não no Ensino Médio. Quando você gabarita uma prova de álgebra é um crânio, já uma de geografia-política, é malandro, ou, ao menos, bom de enrolar. Somos incompreendidos. Não somos enroladores e sim bem articulados. Conseguimos desenvolver um texto, usar as palavras ao nosso favor. Mesmo com toda a glória dos matemáticos, não trocaria minhas palavras por número algum. 
Amo essa bipolaridade das letras, como mesmas histórias podem ser contadas de tantas diferentes maneiras. A forma como não tem certo nem errado e por isso não limita nossos pensamentos a caixinha que o atual sistema de educação nos impõe. O fato de termos conteúdo e uma boa conversa. Afinal, ninguém encontra o x no jantar.
Gosto de pensar que nunca saberemos o que realmente aconteceu com os personagens da História. Até por quê, em Humanas, lidamos com gente-(famosa)-como-a-gente, que levam segredos ao túmulo e a informação chega a nós num grande telefone sem fio, não é possível que em todos esses milênios não tenha sido nem sequer um pouquinho adulterada. Tive esse pensamento maluco quando imaginei Vargas contando sua versão do que realmente aconteceu no Estado Novo. Já que possuem diversas interpretações da pessoa dele. Para meu professor, um ditador. Para muitos o pai da nação. Mas quem seria ele na intimidade, fora dos textos do capítulo 7?  Eu nunca saberei. Mas gosto de imaginar. Pois é isso que nós, jovens, fazemos.
A padronização feita pela escola é errada. Cada um tem uma forma de desenvolvimento cognitivo. O mundo evoluiu. A sociedade mudou, mas o sistema arcaico de educação se perpetua. O pensamento "pra que eu quero saber disso?" é cada vez mais frequente. Simplesmente não posso aceitar um jovem saindo de uma instituição de ensino sabendo encontrar o delta como ninguém, mas não ter ideia da função de um senador. Talvez essa seja a razão de vermos tantas pessoas que possuem acesso a educação alienadas. É que sua mente simplesmente não foi preenchida do que realmente lhe trará conteúdo e cultura. Precisamos de uma revolução na educação. Uma revolução.
Por favor, alguém mate a matemática. Ou, pelo menos. me ensine funções. Esse texto foi escrito na madrugada antes da prova de recuperação? Provavelmente.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O dia em que fui capa da Veja

Olá, leitores!
Como a Bienal do Livro Rio tem início dia 3 de setembro, nós cariocas já estamos fazendo uma contagem regressiva e preparando o terreno para esse evento tão maravilhoso e divertido.  A edição desse ano está de cara nova, mais inovadora e progressista, isso porque o mercado editorial brasileiro está mais voltado para os jovens e é sobre isso que fala a Veja Rio dessa semana, na qual eu estou ilustrando a capa. Sobre essa nova geração de leitores. 


Se você é do Rio de Janeiro, já está em uma banca mais perto de você! Mas se você é de outro estado, não se preocupe, você pode ler a matéria completa aqui

Eu gostaria muito de agradecer a Sofia Cerqueira pela matéria maravilhosa, ao Felipe Fittipaldi por essa foto incrível, a Paula Pimenta, por lembrar de mim, aos meus pais por alimentarem meu vício e a Deus, por tudo. Acho que agora entendi o real sentido da frase "às vezes coisas boas acontecem quando estamos distraídos". 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Jesse's Girl - Miranda Kenneally

Olá, leitores!
Como sabem, nas últimas férias eu estava em Los Angeles e lá, num shopping a céu aberto que visitei, tem uma Barnes and Noble maravilhosa. Quando fui não deu para ficar o tempo que eu queria bisbilhotando aquele paraíso, pois  tinha hora para ir embora e eu ainda precisava conhecer o restante do lugar então dei só uma olhada nos títulos por alto. Li algumas contra-capas e Jesse's Girl me chamou atenção e, para não sair de mãos vazias, comprei. Às vezes, fazemos boas escolhas na vida. Ter comprado Jesses's Girl é uma delas.  


Nos Estados Unidos existe um dia no qual alunos do ensino médio realizam o "Shadow Day" que corresponde à, basicamente, acompanhar a rotina de um profissional da área que você pretende trabalhar. Só que, geralmente, se você alega que quer ser "jogador da NBA", por exemplo, te colocam para seguir o gerente da Centauro durante um expediente. Não necessariamente se você pretende ser música vão te encaminhar para um dia com um astro do country, mas, felizmente, é isso que acontece com Maya, nossa personagem. A garota não faz a menor ideia que o queridinho da Billboard e de todas as adolescentes, Jesse, é sobrinho do diretor da escola em que ela estuda, possibilitando-a assim de aprender com alguém lindo e que está nesse mercado a anos. 
Eu estou perdidamente, completamente e loucamente apaixonada por esse livro. As editoras brasileiras não sabem o que estão perdendo não o adotando. Esse livro foi tudo e mais um pouco do que eu esperava de Teen Idol, que acabou não correspondendo tanto as minhas expectativas. 
A narrativa de Miranda é uma delícia de ler, a história é uma fofura e os personagens são extremamente viciantes. Confesso que não consegui imaginar o Jesse com chapéis de cowboy, na minha cabeça estava mais para Justin Bieber cantando músicas como "Ho Hey", mas isso não vem ao caso. 
Não é um livro tocante, na verdade, é um romance que muitos diriam ser clichê, mas o fato é que não consegui me desgrudar do livro. Comecei a ler só para ver qual era e não consegui largar até a página final. Em termos técnicos, não é nada demais. Em termos emocionais, ganhou meu coração. Me encantei com Maya e Jesse (que já poderia ser vendido da OLX para mim) e, sinceramente, entre tantos outros, fico feliz desse título ter chegado em minhas mãos. 
Outro ponto que eu reparei é que a cada livro em inglês que você lê, mas fácil a leitura vai se tornando. Você se familiariza com algumas expressões usadas e com isso a leitura torna-se mais rápida, além de aumentar seu vocabulário. Pois, você não vai lembrar de todas as palavras aprendidas se não as lê-la com frequência. Por isso defendo que vale muito a pena sair da zona de conforto dos livros traduzidos e das aulas de inglês. 
(I wish that I had Jesse's Girl. 
Tailgatting)
   

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Wonderful World

Chega o esperado dia da viagem. Passaporte em mãos, assim como o coração. Você entra sozinha naquela movimentada sala de embarque de uma quinta-feira. Estranhos passam de um lado para o outro. E você está lá, sozinha. Às vezes você questiona se é realmente capaz. E você é, então levanta a cabeça e caminha até o avião. Você sabe que está no lugar certo, seus sonhos sempre te levavam até ali. 
Você chega ao destino. Um lugar diferente com novas pessoas. Todos ali, abertos para quem quiser se aproximar, estão com o mesmo intuito, fazer amizades. Algo que acontece rápido, pois somos seres humanos e temos essa necessidade de transformar o desconhecido em familiar. Vocês trocam as primeiras palavras, logo é como se já se conhecessem a anos. Então, você descobre que a adolescência é a mesma em todos os 4 cantos da Terra. Seja em São Paulo ou Tel Aviv, somos jovens e vamos chorar por coisas fúteis, rir de palhaçadas e cantar músicas em ônibus escolares. As diferenças culturais não parecem mais tão expressivas assim. Na verdade, tornam-se maravilhosas. Ali, jogando cartas com um americano, um israelita e uma russa você percebe que nunca teria tido essa experiência de explorar novas visões de mundo se não tivesse se jogado no desconhecido. O mundo passa a ser pequeno e você se depara com uma real necessidade de conhecer todos os lugares desse planeta maravilhoso que vivemos. Pensa em todas as pessoas incríveis espalhadas pelo globo, prontas para conquistar um espaço em seu coração e que talvez nunca vá conhecê-las se não sair da caixinha que é aquela sua vida espalhada por poucas ruas de uma cidade que quando o avião decolou e percebeu quão imensa é sua insignificância. 
Então chega a hora de voltar para casa. E quando você desce do avião, é como se seu balãozinho estourasse. As esquinas que antes eram todas novidade voltam a ser as repetidas. Você vê que as coisas por aqui continuam do jeitinho que você as deixou. Mas alguma coisa mudou além da estação, você. Que definitivamente não é a garota que entrou insegura pela primeira vez naquela sala de embarque. Agora tem a certeza de que sua antiga vida sempre estará lá, de braços abertos assim como o Cristo Redentor para a baía de Guanabara. Mas o mundo? Está te esperando lá fora e a sede por ele cala sua saudade de casa. Você está se readaptando, mas uma coisinha ainda martela seu peito, a saudade. Aquele mundo que antes parecia tão pequeno torna-se intimidador e frio quando oceanos de separam de quem você aprendeu a amar. Obrigada, tecnologia! Mas ainda sim é difícil trocar risadas genuínas por HAHAHA no whatsapp.  O fuso horário se torna seu pior inimigo e a sensação de impotência quanto a essa dor fina e cortante em seu peito, também. As melhores pessoas moram longe e talvez isso que faz delas tão especiais. Te conforta saber que pelo menos teve a oportunidade de conhecê-las e, se tivesse escolha, não as apagaria da memória para curar essa ferida. Os dias que passaram juntos já foram suficientes para tornar-se eternos. E o termo internacional passa a ter um novo sentido para você. Não importa qual alfabeto usamos, qual religião seguimos, a qual nação pertencemos, temos um coração e, às vezes, entregamos ele a pessoas, a lugares e a momentos. Em minha bagagem trouxe alguns corações. Distribui o meu também, porque nesse imenso labirinto que é a vida, esbarramos em pessoas valem a pena. Mesmo que não sejam daqui. Mesmo que sejam lá de longe. Nos vemos um dia, amigos. Isso não é um adeus, é um até logo. 
Madrugada de segunda, 10 de agosto de 2015