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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Vidas Secas

O despertador musicaliza a rotina 
6 horas 
Banho, guarda roupa
O dia está cinza 
e o café aguado. 
O noticiário relata probabilidade de chuva.

Chuva essa que não molha 
nas marquises das lojas 
no subterrâneo do metrô 
nas baias dos escritórios. 
A rotina é seca 

O dia-a-dia não suja a barra da calça
também não permite abrir os braços 
e sentir a cachoeira divina sobre o corpo terreno.

A vida é seca.
Com você, primavera. 

domingo, 15 de julho de 2018

Apenas um filme

Se minha vida fosse um filme
(no qual eu tivesse uma mísera participação na direção das circunstâncias
e não somente nas ações de minha personagem)
seria de comédia romântica
daquelas bem bobas. 

Ele mandaria mensagem antes do nascer do sol.
Eu estaria me aprontando para o baile de formatura. 
Ele desembarcaria no Tom Jobim ao som de Hometown Glory. 
Nos cruzaríamos numa quarta-feira bucólica em um café
e ele me contaria por onde andou todos esses anos.
Eu seria um pouco menos desarrumada, 
mais alta e teria uma melhor postura.
Ele seria atleta e mudaria o corte de cabelo, 
mas continuaria sendo de exatas. 

A trilha sonora seria Taylor Swift 
(não o sertanejo vindo do churrasco que acontece no play do meu prédio)
Ele estaria apaixonado por mim
e eu iria corresponder. 
Receberíamos 2 estrelas pela crítica,
mas faríamos adolescentes suspirarem 
e indagarem 
"Por que não eu?"
encarando a tela preta,
apaixonadas pela história narrada em uma hora e meia,
produzida com a melhor luz,
falas decoradas, 
e atores que não trocam olhares antes da claquete.
Afinal,
seria apenas um filme. 

Domingo, 15 de julho de 2018

terça-feira, 26 de junho de 2018

Isto se chama metapoema

Que me perdoe a prosa
mas sou amante da poesia
da melodia pausada
da linha que permanece tingida de branco
e das infinitas possibilidades que habitam o vazio. 
Nestas poucas palavras posso tentar traduzir sentimentos confusos. 
Posso ser irônica, dramática,
inventar realidades, amores e cenários.
Posso contemplar a luz das estrelas 
no escuro do meu quarto. 
Sem contexto.
 Justificativa. 
Argumento de autoridade. 
Você não precisa entender. 
E, na verdade, nem eu. 





Esta vai terminar sem uma proposta de intervenção. 
Utilizei a primeira pessoa. 
Mas não comecei com ''atualmente''. 
Um acinte.

Terça-feira, 26 de junho de 2018

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Resignação

Você cresceu,
tem mais pelos no rosto
e está mais forte 
desde a última vez que meus olhos cruzaram com os seus. 
Também tenho certeza de que começou a beber.
(minhas certezas são meros palpites)
e fazer coisas que antes desaprovávamos.
Tudo bem. 
Eu mesma mudei mais do que o corte de cabelo neste meio-tempo. 


Fazia frio na noite em que te conheci.
Éramos duas crianças brincando de tentar entender o mundo,
tentar entender a distância 
e sentimentos inoportunos.
Seu riso ainda era fácil
e o futuro parecia distante. 

Agora, cá estamos. 
Começo a universidade de direito no verão.
E você vai defender uma bandeira.
Uma pátria. 
Na qual respeito, mas
feliz ou infelizmente
não pertenço. 

Certos caminhos confio nas mãos de Deus. 
Ou do destino, se preferir.
Mas continuo nutrindo a sensação de que
somos linhas paralelas que insistem em se cruzar. 

Segunda-feira, 18 de junho de 2018

domingo, 8 de abril de 2018

Crescer

Quando, ainda criança, diziam-me que a vida passava rápido demais
Eu assentia descrente 
Já que quinta-feira, dia da festa da Mariana Barbosa parecia estar anos-luz distante. 
Mas o esperado evento enfim chegou.
Assim como uma infinidade de outras quintas-feiras. 
Recordo-me de contar quantos anos restavam até minha formatura do colégio. 
Com meus amigos.
Em um recreio. 
Com as lancheiras lotadas de bolinho Ana Maria.  
Faltava uma uma eternidade. 
Hoje, esses amigos tornaram-se desconhecidos íntimos. 
Infelizmente, não usamos mais lancheiras. 
E o ano enfim chegou.
Meus tempos de escola estão se esgotando. 
Entretanto, tudo que aprendi ao decorrer da jornada permanecerão comigo. 
Lições de história, geografia, literatura, sociologia, biologia
E aquelas que estão fora das apostilas: 
Sociabilidade.
Arte. 
Imaginação.
Nos palcos, tive o prazer de dançar como a Noviça Rebelde
Ser a própria Bela em seu vestido amarelo.
E abrir meu coração por meio de poesias.  
Hoje, ainda criança, digo que a vida passa rápido demais. 
Talvez não nos sintamos preparados para a nova fase que está por vir. 
Mas estamos.
Talvez nos sintamos uma gazela na savana africana que é o mundo real. 
E somos. 
Mas um dia, eu sei, seremos tão fortes, capazes e justos quanto os leões.  

Domingo, 8 de abril de 2018

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Desavisada

Logo eu, uma menina da ciência.
Que sempre acreditei em fatos.
No conhecido.
Naquilo que podemos pesar, medir e estudar.
Perdi-me completamente na cor de terra batida de seus olhos.
"Amor é uma simples combinação de hormônios, sua tola"
Estrogenio.
Serotonina.
Oxitocina.
Tornei-me alguém que descreve os olhos do amado
naquele momento.  
Naquela noite fria e nublada de inverno.
Lembro-me do vento cortante em meu rosto
e das luzes descoloridas da cidade.
Você,
sonhador,
otimista,
que sempre acreditou em destino,
dizia que não deveríamos aceitar menos do que uma grande história.
Que a vida era bela e complexa demais para sermos práticos
Corriqueiros
Acomodados
Assim eu soube.
Pela primeira vez, não consegui explicar o que sentia.
"Só admiração."
Vassoprecina.
Dopanina.
Mas eu sabia

que era amor.

Terça, 24 de outubro de 2017

domingo, 8 de outubro de 2017

Perspectivas

Uma manhã chuvosa de primavera.
Ele, preto e branco, enquanto protege sua preciosa pasta, reclama do temporal. Afinal, molhava sua calça durante o trajeto ao metrô.

Ela, com tantas cores contidas em si e com a ingenuidade de uma criança, encara o céu com um sorriso. Por mais que saiba que suas roupas ficarão ensopadas pelo restante do dia, gosta do cheiro da chuva. Gosta do tom cinza que a cidade adquire, apesar dos inconvenientes causados pela água.

Ela, enxerga a pluralidade da vida. Sente-se grata por sentir a chuva de cores que cai sobre ela e sabe que o sol logo voltará a aquecer aquele lugar.
Ele, preso em seu mundo preto e branco, não percebe o que está acontecendo naquele dia. 
Talvez não consiga enxergar além de sua pequena bolha, por estar tão envolto na rotina, agenda e prazos.
 Talvez apenas não queira sair da zona de conforto de seus pensamentos binários.
Quando lhe perguntam como está o céu naquela manhã, diz que está cinza. 
Como seu guarda-chuva. 
Ignorando o tom roxo das nuvens.
Amarelo, dos primeiros raios da manhã. 
E o rosa do pôr-do-sol que se forma atrás das colinas. 
Perspectivas.
Sexta, 6 de outubro de 2017


domingo, 30 de abril de 2017

Cineac Trianon

Meu avô vendeu seu sítio. Fiquei arrasada. Já estava a venda desde que eu me entendo por gente, mas de alguma forma não acreditava que ele teria realmente coragem de fazer isso. Não conheci os atuais donos da propriedade, mas espero que seja também uma família e que não mudem nada. Nem um detalhe da decoração nem da mobília. E que aproveitem muito, como eu aproveitei. Da última vez que fui lá os empregados já haviam sido despedidos, só tinha restado o caseiro e o segurança. 
Sentirei saudades de todos os cafés da manhãs que mais pareciam de hotel, daquele barulhinho tão especial do rio e também dos mergulhos nele. Daquele clima de montanha e daquela fumaça que saia de minha boca a cada palavra, dos dogs alemães que eu vi crescer, de todos os churrascos e todas as pizzas no pavilhão, da quadra de tênis e de toda travessura que aprontei com meus primos ali, cada caça ao tesouro, cada pique esconde,cada poção que fizemos misturando cosméticos do banheiro alheio, aquela pontezinha da piscina, a cada livro que li naquele friozinho com barulhinho da água do rio correndo e a cada miojo. Fico as vezes pensando como deve ter sido dolorido para a mãe do Cazuza quando vendeu essa casa para nós. Gostaria de procura-la hoje em dia e avisar que fiz bom uso dela, conta-la de dias antes de subir a serra até lá da minha empolgação para deixar essa cidade grande e entrar em contato com a natureza, de todas as frutas que comi direto do pé e de toda calça que ficou manchada por uma pirambera que havia atrás do celeiro. Tomara que aquele lugar alegre os dias de outra criança agora. Faça bom uso como nós fizemos, queridos anônimos novos moradores. E obrigada por tudo Cineac Trianon. 
15 de dezembro de 2014

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A florzinha

A chuva que bate em minha janela se confunde com minhas lágrimas. Sinto saudade dela. Uma saudade sufocante, latente e ela ainda nem se foi. Todas as vezes que penso nas risadas que não vamos mais compartilhar, nas milhas que vão nos separar e nas mensagens num smartphone que substituirão nosso rotineiro beijo de boa noite, parece que minha garganta está prestes a se fechar. Que minha vida está ruindo, pois as estruturas que as mantinha firme estão balançando. Sentirei falta do barulho de alguém na cozinha, das noites assistindo aquela antiga novela no VIVA e o brilho que ela espalha por onde passa. Ela é o sol e chuva. É de fases como a lua. É o arco-íris que por tanto tempo coloriu minha vida e agora vai a procura de novos horizontes. Ela é e sempre será a florzinha mais bonita do meu jardim. 
 Noite chuvosa de sexta-feira, 6 de novembro de 2015
6 dias antes 


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Por favor, matem a matemática

Nunca fui a melhor aluna da minha classe. Não por não ser boa o suficiente, mas por não limitar meus pensamentos a meia dúzia de fórmulas. O x e a tangente nunca realmente fizeram sentido. Sempre fui de humanas, mesmo quando não sabia o que era isso. Quando a  tia pedia para Mariazinha dar balas para Joãozinho e depois tomar algumas de volta eu não queria calcular com quantas balas Joãozinho ficou, eu queria entender o porquê de Mariazinha ter tomado-as de volta e travar um diálogo emocionante a nível de jardim de infância. Ocorre que ninguém nunca reconhece os de humanas como inteligentes, ou, pelo menos, não no Ensino Médio. Quando você gabarita uma prova de álgebra é um crânio, já uma de geografia-política, é malandro, ou, ao menos, bom de enrolar. Somos incompreendidos. Não somos enroladores e sim bem articulados. Conseguimos desenvolver um texto, usar as palavras ao nosso favor. Mesmo com toda a glória dos matemáticos, não trocaria minhas palavras por número algum. 
Amo essa bipolaridade das letras, como mesmas histórias podem ser contadas de tantas diferentes maneiras. A forma como não tem certo nem errado e por isso não limita nossos pensamentos a caixinha que o atual sistema de educação nos impõe. O fato de termos conteúdo e uma boa conversa. Afinal, ninguém encontra o x no jantar.
Gosto de pensar que nunca saberemos o que realmente aconteceu com os personagens da História. Até por quê, em Humanas, lidamos com gente-(famosa)-como-a-gente, que levam segredos ao túmulo e a informação chega a nós num grande telefone sem fio, não é possível que em todos esses milênios não tenha sido nem sequer um pouquinho adulterada. Tive esse pensamento maluco quando imaginei Vargas contando sua versão do que realmente aconteceu no Estado Novo. Já que possuem diversas interpretações da pessoa dele. Para meu professor, um ditador. Para muitos o pai da nação. Mas quem seria ele na intimidade, fora dos textos do capítulo 7?  Eu nunca saberei. Mas gosto de imaginar. Pois é isso que nós, jovens, fazemos.
A padronização feita pela escola é errada. Cada um tem uma forma de desenvolvimento cognitivo. O mundo evoluiu. A sociedade mudou, mas o sistema arcaico de educação se perpetua. O pensamento "pra que eu quero saber disso?" é cada vez mais frequente. Simplesmente não posso aceitar um jovem saindo de uma instituição de ensino sabendo encontrar o delta como ninguém, mas não ter ideia da função de um senador. Talvez essa seja a razão de vermos tantas pessoas que possuem acesso a educação alienadas. É que sua mente simplesmente não foi preenchida do que realmente lhe trará conteúdo e cultura. Precisamos de uma revolução na educação. Uma revolução.
Por favor, alguém mate a matemática. Ou, pelo menos. me ensine funções. Esse texto foi escrito na madrugada antes da prova de recuperação? Provavelmente.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Wonderful World

Chega o esperado dia da viagem. Passaporte em mãos, assim como o coração. Você entra sozinha naquela movimentada sala de embarque de uma quinta-feira. Estranhos passam de um lado para o outro. E você está lá, sozinha. Às vezes você questiona se é realmente capaz. E você é, então levanta a cabeça e caminha até o avião. Você sabe que está no lugar certo, seus sonhos sempre te levavam até ali. 
Você chega ao destino. Um lugar diferente com novas pessoas. Todos ali, abertos para quem quiser se aproximar, estão com o mesmo intuito, fazer amizades. Algo que acontece rápido, pois somos seres humanos e temos essa necessidade de transformar o desconhecido em familiar. Vocês trocam as primeiras palavras, logo é como se já se conhecessem a anos. Então, você descobre que a adolescência é a mesma em todos os 4 cantos da Terra. Seja em São Paulo ou Tel Aviv, somos jovens e vamos chorar por coisas fúteis, rir de palhaçadas e cantar músicas em ônibus escolares. As diferenças culturais não parecem mais tão expressivas assim. Na verdade, tornam-se maravilhosas. Ali, jogando cartas com um americano, um israelita e uma russa você percebe que nunca teria tido essa experiência de explorar novas visões de mundo se não tivesse se jogado no desconhecido. O mundo passa a ser pequeno e você se depara com uma real necessidade de conhecer todos os lugares desse planeta maravilhoso que vivemos. Pensa em todas as pessoas incríveis espalhadas pelo globo, prontas para conquistar um espaço em seu coração e que talvez nunca vá conhecê-las se não sair da caixinha que é aquela sua vida espalhada por poucas ruas de uma cidade que quando o avião decolou e percebeu quão imensa é sua insignificância. 
Então chega a hora de voltar para casa. E quando você desce do avião, é como se seu balãozinho estourasse. As esquinas que antes eram todas novidade voltam a ser as repetidas. Você vê que as coisas por aqui continuam do jeitinho que você as deixou. Mas alguma coisa mudou além da estação, você. Que definitivamente não é a garota que entrou insegura pela primeira vez naquela sala de embarque. Agora tem a certeza de que sua antiga vida sempre estará lá, de braços abertos assim como o Cristo Redentor para a baía de Guanabara. Mas o mundo? Está te esperando lá fora e a sede por ele cala sua saudade de casa. Você está se readaptando, mas uma coisinha ainda martela seu peito, a saudade. Aquele mundo que antes parecia tão pequeno torna-se intimidador e frio quando oceanos de separam de quem você aprendeu a amar. Obrigada, tecnologia! Mas ainda sim é difícil trocar risadas genuínas por HAHAHA no whatsapp.  O fuso horário se torna seu pior inimigo e a sensação de impotência quanto a essa dor fina e cortante em seu peito, também. As melhores pessoas moram longe e talvez isso que faz delas tão especiais. Te conforta saber que pelo menos teve a oportunidade de conhecê-las e, se tivesse escolha, não as apagaria da memória para curar essa ferida. Os dias que passaram juntos já foram suficientes para tornar-se eternos. E o termo internacional passa a ter um novo sentido para você. Não importa qual alfabeto usamos, qual religião seguimos, a qual nação pertencemos, temos um coração e, às vezes, entregamos ele a pessoas, a lugares e a momentos. Em minha bagagem trouxe alguns corações. Distribui o meu também, porque nesse imenso labirinto que é a vida, esbarramos em pessoas valem a pena. Mesmo que não sejam daqui. Mesmo que sejam lá de longe. Nos vemos um dia, amigos. Isso não é um adeus, é um até logo. 
Madrugada de segunda, 10 de agosto de 2015